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domingo, 12 de dezembro de 2010

OBALUAÊ

OBALUAÊ
Em termos mais estritos, Obaluaê é a forma jovem do Orixá Xapanã, enquanto Omolu é sua forma velha. Como porém, Xapanã é um nome proibido tanto no Candomblé como na Umbanda, não devendo ser mencionado pois pode atrair a doença inesperadamente, a forma Omolu é a que mais se popularizou e acabou sendo confundida não apenas com a forma mais velha do Orixá, mas com sua essência genérica em si. Esta distinção se aproxima da que existe entre as formas básica de Oxalá: Oxalá (o Crucificado), Oxaguiã a forma jovem e Oxalufã a forma mais velha. A figura de Omolu-Obaluaê, assim como seus mitos, é completamente cercada de mistérios e dogmas indevassáveis. Em termos gerais, a essa figura é atribuído o controle sobre todas as doenças, especialmente as epidêmicas. Faria parte da essência básica vibratória do Orixá tanto o poder de causar a doença como o de possibilitar a cura do mesmo mal que criou. Em algumas narrativas mais tradicionalistas tentam apontar-se que o conceito original da divindade se referia ao deus da varíola, tal visão porém, nos parece uma evidente limitação.  
A varíola não seria a única doença sob seu controle, simplesmente pôr ser a epidemia mais devastadora e perigosa que conheciam os habitantes da comunidade original africana, onde surgiu Omolu-Obaluaê, o Daomé. Assim, sombrio e grave como Iroco, Oxumarê (seus irmãos) e Nanã (sua Mãe), Omolu-Obaluaê é uma criatura da cultura jeje, posteriormente assimilada pelos iorubas. Enquanto os Orixás iorubanos são extrovertidos, de têmpera passional, alegres, humanos e cheios de pequenas falhas que os identificam com os seres humanas, a figuras daomeanas estão mais associadas a uma visão religiosa em que distanciamento entre deuses e seres humanos é bem maior. Quando há aproximação, há de se temer, pois alguma tragédia está para acontecer, pois os Orixás do Daomé são austeros no comportamento mitológico, graves e conseqüentes em suas ameaças.

Obaluaê na Umbanda representa a manifestação de Deus (Zambi das religiões Congo e Angola) da renovação dos espíritos decaídos, resgatador da suas dívidas cármicas, na manifestação de Omulu trabalha como ceifador dos erros, ou seja, é o senhor dos mortos e o regente dos cemitérios considerado o campo santo entre o mundo terrestre material e o mundo astral espiritual, trabalhando com muito amor na guia destes espíritos, tendo como servo exu caveira o guardião dos cemitérios.
Obaluaiê é o mistério da irradiação que plasma o espírito desencarnado em vias de reencarne, amoldando-o para o útero materno, propiciando assim uma nova via evolutiva. 
Obaluaê é o senhor das doenças podendo curar uma pessoa de uma doença. Na gira de caboclos pode ser chamado de "caboclo do fogo" e quando entra nos terreiros da umbanda sua cabeça sempre tem que ser coberta, pois, obaluae tinha muitos feridas e cobria seu rosto com palha para que ninguém pudesse ver as feridas.
Diz uma lenda africana que ele estava em uma festa e ninguém queria dançar com ele sabendo de suas feridas até que Iansã veio até ele levantou a palha de seu rosto e com sua ventarola provocou um vento tão forte que as feridas de obaluae saíram do corpo dele se transformando em pipoca.
 “(...) Eu olhei os símbolos e escolhi o símbolo que tinha três cruzes em seu interior. Imediatamente uma luz forte se fez presente e foi tomando forma. Quando esta já estava totalmente plasmada, vi um ancião curvado apoiando-se num cajado com diversos símbolos pendurados. Tinha o corpo todo coberto por uma palha  desconhecida para mim. Sua vibração não era contida pela forma plasmada. Eu sentia os meus ossos se deslocarem do lugar tal a intensidade. Quando ele levantou o cajado eu fui puxado ao seu encontro. Pensei que ia me despedaçar todo, pois eu era só ossos. Cai de joelhos aos seus pés. Só então eu vi que ele também era só ossos. A ponta do cajado tocou em minha cabeça e um choque muito forte percorreu todo meu corpo. “Vou morrer outra vez”, pensei quando uma voz gutural respondeu ao meu pensamento:
_ Não morremos duas vezes, exu da meia-noite. Eu o marco como um dos meus. Você me serve, eu o amparo. Você me servirá e a Lei viverá em você. Você foi lançado ao solo pelo poder do símbolo da cruz. Você carregará sua cruz e a Lei o ajudará. Mas se você abandona-la, ela o esmagará. Sua força não é maior que sua cruz, mas ela lhe dará forças para carregá-la. Sirva-a e ela o engrandecerá, mas renegue-a e fraco se tornara. Ame sua cruz e o amor a ela o inundará; mas odeie a ela e o diado será. Louve-a e louvado será; renegue-a e renegado será. (...)_ Quem o fez que eu nem percebi?_ Foi o senhor Abaluaê, ou Senhor dos Mortos, quem o marcou como um à sua esquerda.(...)” (trecho retirado do Livro Guardião da Meia Noite)

Fontes:
Livro Guardião Da Meia Noite

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Exu Mirim na Umbanda







       Exu Mirim na Umbanda

A umbanda vai além da manifestação de espíritos desencarnados, atuando e interagindo com realidades da vida muitas vezes inacessíveis a espíritos humanos. Exu mirim muitas vezes tem acesso a campos e energias que os outros guias espirituais não têm.
     
    Lembre–se que a umbanda é a manifestação de “espírito para a caridade” não importando a forma ou o jeito de sua manifestação. Para aqueles que sentirem–se afim com a força e tiverem respeito, com certeza em exu mirim verão uma linha de trabalho tão forte, interessante e querida como todas as outras.

1. Cada Orixá é um dos estados da Criação. Um é a Fé, outro é a Lei, outro é o Amor, e assim por diante, independente de suas interpretações religiosas.

2. Por serem estados, são indispensáveis, insubstituíveis e imprescindíveis á harmonia e ao equilíbrio do todo. O Estado da matéria considerado “frio” só é possível por causa da existência do estado “quente” e ambos na escala celsus indica os dois estados das temperaturas. Sem um não seria possível dizer se algo está frio ou quente; se algo é doce ou amargo, se algo é bom ou ruim, etc. É a esse tipo de “estado” que nos referimos e não a um território geográfico, certo?

3. Muitos são os estados da Criação e cada um é regido por um Orixá e é guardado e mantido por todos os outros, pois se um desaparecer (recolher-se em Deus), tal como numa escada, ficará faltando um degrau, e tal como numa escala de valores, estará faltando um grau que separe o seu anterior do seu posterior.

4. Quando a Umbanda iniciou-se no plano material, logo surgiu uma linha espiritual ocupada por espíritos infantis amáveis, bonzinhos, humildes, respeitosos e que chamavam todos(as) de titios e titias ao se dirigirem às pessoas ou aos Orixás e guias espirituais. Também chamavam os pretos velhos de vovô e de vovó. Até aí tudo bem!

5. Mas logo começaram a “baixar” uns espíritos infantis briguentos, encrenqueiros, mal-educados, intrometidos, chulos e que dirigiam–se às pessoas com desrespeito chamando-os disso e daquilo, tais como: seu pu.., sua p..., seu v...., seu isso e sua aquilo, certo? E quando inquiridos, se apresentavam como “exus” mirins, os exus infantis da Umbanda numa equivalência com um exú infantil ou um erê da esquerda existente no Candomblé de raiz nigeriana.

6. Exú Mirim assumiu o arquétipo que foi construído para ele: o de menino mal! E tudo ficou por aí com ninguém se questionando sobre tão con­trovertida entidade incorporadora em seus médiuns, pois ele dizia que todo médium tem na sua esquerda um Exú Mirim além de um e Exú e uma Pomba Gira.

7. De meninos mal educados, como tudo que “começa mal” tende a piorar, eis que as incorporações de entidades Exus Mirins começaram a ser proibida nos centros de Umbanda devido à vazão de desvios íntimos dos médiuns que eles extravasavam quando incorporavam nos seus.

8. De mal vistos, para pior, essa linha de trabalhos espirituais, (onde cada médium tem o seu Exú Mirim), quase desapareceu e só restaram as incorporações e os atendimentos de um ou outro Exu Mirim “muito bom” mesmo no ato de ajudar pessoas.

9. Então ficou assim decidido, mais ou menos, por muitos:

10. Exú Mirim existe, é mal educado e incon­trolável e de difícil doutrinação.

11. Vamos deixar Exú Mirim quieto e vamos trabalhar só com linhas espirituais doutrináveis e possíveis de serem controladas dentro de limites aceitáveis.

12. Exú Mirim praticamente desapareceu das manifestações Umbandistas porque suas incorporações fugiam do controle dos dirigentes e seus gestos e palavrões envergonhavam a todos.

13. Como é característica humana negar tudo o que não pode controlar e ocultar tudo o que “envergonha”, o mesmo foi feito com Exú Mirim, que existe, mas não é recomendável que incorpore em seus médiuns. Certo?

Errado, porque muitos médiuns já ajudaram a muitas pessoas com seus exus mirins doutrinadíssimos e nem um pouco influenciados pela personalidade “oculta” de quem os incorporavam.

Todos se adaptam a regras comportamentais se seus aplicadores forem rigorosos tanto com os médiuns quanto com quem incorporar neles.

O melhor exemplo começa com as incorporações comportadas de quem dirige os trabalhos espirituais. E uma boa orientação sobre as entidades ajuda muito porque, o que os médiuns internalizarem sobre elas será o regularizador das entidades.

Agora se, por acaso, o dirigente adota um comportamento discutível, aí seus médiuns o seguirão intuitivamente, pois o tomam como exemplo a ser seguido.

Em inúmeras observações, vimos os médiuns repetindo seus dirigentes e, inclusive, com as incorporações e danças dos guias incorporados neles. Essa assimilação natural ou intuitiva é um indicador de que o exemplo que vem “de cima” ainda é um dos melhores reguladores comportamentais.

Agora, quando o dirigente incorpora seu Exu Mirim e este, por ser do “chefe”, faz micagens, caretas, gestos obscenos, atira coisas nas pessoas, xinga-as e fala palavrões, aí tudo se degenera e seus médiuns procederão da mesma forma porque, em suas mentes e inconscientes é assim que seus Exus Mirins devem comportar-se quando incorporados.

Essa foi uma das razões para o ostracismo e que foi relegada à linha dos Exus Mirins. E isto, sem falarmos em supostos Exus Mirins que quando incorporavam ou ainda incorporam por aí afora, pegam ou lhe são dados saquinhos de papel que ficam cheirando, como se fossem as infelizes crianças de rua viciadas em cheira “cola de sapateiro”.

Certos comportamentos devem debitar ao arquétipo errôneo construído por pessoas desin­for­madas sobre essa linha de trabalhos espirituais Umbandistas.

1. Não são espíritos humanos, em hipótese alguma.

2. Exus Mirins são seres encantados da natureza provenientes da sétima dimensão à esquerda da que nós vivemos.

3. A irreverência ou má educação comportamental não é típico deles na dimensão onde vivem.

4. São naturalmente irrequietos e curiosos, mas nunca intrometidos ou desrespeitadores.

5. Por um processo osmótico espiritual, refletem o inconsciente de seus médiuns, tal como acontece com Exú e Pomba Gira. Logo, são nossos refletores naturais.

6. Gostam de beber as bebidas mais agradáveis ao paladar dos seus médiuns, sejam elas alcoólicas ou não.

7. Apreciam frutas ácidas e doces “duros”, tais como: rapadura, pé de moleque, quebra queixo, cocadas secas e balas “ardidas” (de menta ou hortelã).

8. Se bem doutrinados prestam inestimáveis trabalhos de auxilio aos freqüentadores dos centros de Umbanda.

9. Não aprovam ser invocados e oferen­da­dos em trabalhos de demandas e magias negativas contra pessoas.

10. Toda vez que seus médiuns os ativam pa­ra prejudicar os seus desafetos seus Exus Mirins se enfraquecem automaticamente já acon­teceram inúmeros casos de médiuns que ficaram sem seus verdadeiros Exus Mirins porque os usaram tanto contra seus desafetos que eles ficaram tão fracos que foram aprisionados em kiumbas oportunistas tomaram seus lugares junto aos seus médiuns, passando daí em diante a criar problemas para suas vítimas que ainda acreditavam que estavam incorporando seus verdadeiros Exus Mirins.

11. Eles raramente pedem seus assentamentos ou firmezas permanentes e preferem ser ofe­rendados periodicamente na natureza, tal co­mo as crianças da direita.

12. Se bem doutrinados e colocados a serviço dos freqüentadores dos centros umbandis­tas, realizam um trabalho caritativo único e insu­bs­tituível.

      Exu Mirim
Exu mirim - 7ª falange ou legião – yariri

As crianças tanto na esquerda quanto na direita, estão associadas às mães.

Exu mirim é um mistério natural manifestado por Deus.


Quem é, e o que representa para a umbanda o exu mirim?

Exu mirim (serguith), é o travesso das dimensões negativas, que com sua irreverência resolve qualquer mau entendido e desmancha as confusões. Guardião das linhas das águas trabalha junto com exus, e de preferência com as pomba gira. Ajuda a abrir caminhos, desfazer os malfeitos e incentiva o trabalho social para resgatar os que estão na marginalidade. Fazem par com os erês nas dimensões negativas, as meninas apresentam-se como pomba giras meninas.

São espíritos de muita luz e sabedoria, portadores de mistérios dos orixás, nunca os olhem como: engraçadinhos, coitadinhos e divertidos.

Exu mirim pólo equilibrador entre a direita e a esquerda, atuam como agente atrasador da evolução, faz o ser regredir vai fechando as faculdades por mau uso da mesma tanto no material como no espiritual.

Quando erramos em nossa vida, sofremos uma regressão (lei de causa e efeito), sejam umbandistas, espiritualistas ou pessoas comuns, essa regressão é feita por exu mirim, quando estamos no caminho certo de vida agem como agentes evolutivos.

O recomeço da vida, e o plano de atuação após essa regressão é feita por exu. Exu mirim elemento regredidor de nossas vidas.

Exu elemento vitalizador, dando continuação aos caminhos da vida ou do recomeço de vida.

Obs: Deus não é impiedoso, Deus não pune e nem castiga, o que existe sim é a conscientização ou regressão dos caminhos de vida, por acertos ou erros como já dito, a lei de causa e efeito, e nossas entidades e divindades estão ai para nos fazer cumprir as leis.

Apresentação: Apresenta-se sempre na forma e com roupagem de criança travessa, gostam da cor vermelho e preto.

Obs: É justamente a falange de exu mirim que as vezes se introduz nas ibejadas ́fazendo se passar por eles.

Campos de força: Encruzas próximas as praias (sempre a primeira vindo da linha da praia para as ruas) encruzas em y e os descampados.

Seu dia: Muito homenageado no dia 06/01 dia de reis.

Seus gostos: Gostam de doces escuros: chocolates, cigarrinhos de chocolates, chocolates com licores por dentro, doces de bananas, teta de nega etc... Também gostam de moedas, e suas bebidas: guaraná com um pouco de conhaque, coca cola com pinga, às vezes acrescentam um pouco de mel nas misturas.


      Algumas Considerações sobre Exu Mirim

Na religião de umbanda existe uma linha muito pouco comentada e compreendida, sendo por isso mesmo muitas vezes deixada "de lado" dentro dos centros e terreiros. É a linha de exu mirim.

Tabu dentro da religião, muitos poucos trabalham com essas entidades tão controvertidas e misteriosas, chegando a ponto de, em muitos lugares, duvidar-se muito da existência deles.

Na verdade, exu mirim é mais uma linha de esquerda dentro do ritual de umbanda, trabalhando junto com exu e pomba gira para a proteção e sustentação dos trabalhos da casa. Não aceitar exu mirim é proceder como em casas que não se aceita exu e pomba gira, mas que a partir do astral e sem que ninguém perceba, recebem a sua proteção. Afinal, "se sem exu não se faz nada, sem exu mirim menos ainda". Não nos chega dentro da cultura dos orixás (nagô) um culto a uma divindade ou “orixá exu mirim”, assim como não nos chega à existência de um “orixá pomba gira”. Apesar disso, sabemos da existência de um trono responsável pela força e vigor na criação (exu/mehor yê), assim como existe uma divindade trono responsável pelo estímulo em toda a criação (pombagira/mahor yê). Sendo assim, também existe uma divindade fechada e não revelada, que sustenta a força da linha de exu mirim. Seria o “orixá exu mirim” responsável por criar meios ou situações para o desenvolvimento do intelecto e o amadurecimento das pessoas (fator complicador). Dessa forma, enquanto exu vitaliza os sete sentidos da vida e pomba gira estimula-os, exu mirim traz situações e “complicações” para que utilizando o vigor e estimulados possamos vencer essas situações e evoluirmos como espíritos humanos.

Dentro da umbanda não acessamos nem cultuamos diretamente o orixá – mistério exu, mas sim o ativamos através de sua linha de trabalho formada por espíritos humanos assentados a esquerda dos orixás. Também assim fazemos com o mistério exu mirim, pois o acessamos através da linha de trabalho exu mirim, formada por "espíritos encantados" ligados a essa divindade regente.

Os exus mirins (entidades) apresentam-se como crianças travessas, brincalhonas, espertas e extrovertidas. Apesar de serem bem “agitadas”, suas manifestações deve estar sempre dentro do bom senso, afinal dentro de uma casa de luz, uma verdadeira casa de umbanda, eles sempre se manifestam para a prática do bem sobre comando direto dos exus e pomba giras guardiões da casa.

Podemos dizer que os exus e pomba gira estão para os exus mirins, como os pretos velhos estão para as crianças da linha de Cosme e Damião.

Trazem nomes simbólicos análogos aos dos "exus adultos", demonstrando seu campo de atuação, energias, forças e orixás a quem respondem. Assim, temos exus mirins ligados ao campo santo: caveirinha, covinha, calunguinha, porteirinha. Ligados ao fogo: pimentinha, labareda, faísca, malagueta. Ligados a água: lodinho, ondinha, prainha, entre muitos e muitos outros, chegando a ponto de termos exus - mirins atuando em cada uma das sete linhas de umbanda.

Quando respeitados, bem direcionados e doutrinados pelos exus e pomba giras da casa, tornam–se ótimos trabalhadores, realizando trabalhos magníficos de limpeza astral, cura, quebras de demandas, etc. Utiliza–se de elementos magísticos comuns à linha de esquerda, como a pinga (normalmente misturado ao mel), o cigarro, cigarrilhas e charutos, a vela bicolor (vermelha e preta) etc. Uma força muito grande que exu mirim traz, é a força de “desenrolar” a nossa vida (fator desenrolador), levando todas as nossas complicações pessoais e “enrolações” para bem longe. Também são ótimos para acharem e revelarem trabalhos ou forças "negativas" que estejam atuando contra nós, "desocultando-as" e acabando com essas atuações.

A umbanda vai além da manifestação de espíritos desencarnados, atuando e interagindo com realidades da vida muitas vezes inacessíveis a espíritos humanos. Exu mirim muitas vezes tem acesso a campos e energias que os outros guias espirituais não têm.

Lembre–se que a umbanda é a manifestação de “espírito para a caridade” não importando a forma ou o jeito de sua manifestação. Para aqueles que sentirem–se afim com a força e tiverem respeito, com certeza em exu mirim verão uma linha de trabalho tão forte, interessante e querida como todas as outras.

Vamos resgatar os Exus Mirins da Umbanda e libertá-los do falso arquétipo que mentes e consciências distorcidas criaram para eles?

Salve os Trabalhadores incansáveis da Linha de Esquerda.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Umbandistas festejam Nossa Senhora da Conceição 08/12

Umbandistas festejam Nossa Senhora da Conceição 08/12

As homenagens a Nossa Senhora da Conceição ganhou os terreiros de umbanda
O sincretismo religioso é uma das características da Umbanda que ainda é muito discriminada. Ao divulgar as comemorações do festejo de nossa senhora da conceição, um dos maiores exemplos de humildade, os umbandistas buscam essa mesma humildade e tolerância por parte de quem ainda trata com diferença os praticantes da Umbanda.
No dia 8 de Dezembro festeja-se o feriado religioso da Imaculada Conceição. Este dia assinala o facto de a Virgem Maria, mãe de Jesus, ter sido concebida sem a mancha original do pecado, sendo pura.
Também ela concebeu sem pecado, uma vez que deu à luz a Jesus sendo virgem antes, durante e depois do parto.
O nome Maria significa "Senhora da Luz" e ela é a Santa Padroeira de Portugal, podendo ter diversos nomes:

Nossa Senhora de Nazaré
Nossa Senhora da Conceição Aparecida
Nossa Senhora da Conceição
Nossa Senhora do Rosário
Nossa Senhora de Guadalupe
Nossa Senhora de Lourdes
Nossa Senhora do Perpétuo Socorro
Nossa Senhora do Carmo
Nossa Senhora de Fátima
Estes são só alguns dos nomes pelos quais Nossa Senhora, a Virgem Maria é conhecida.
As legiões de Oxum, na Umbanda, trabalham subordinadas a Iemanjá, assim como todos os Orixás das águas. Comanda a gestação e,
portanto, a reencarnação de todos os seres e a protecção das crianças que ainda não falam. Sua linha é formada por entidades delicadas, de índole feminina em sua grande maioria, que distribuem a riqueza material vinda dos metais e da fartura dos alimentos (vinda de Oxóssi). São atraídas pela beleza, pelas artes, desenvolvendo tais actividades entre a Humanidade. Incrementam a doçura nos lares, amainam pessoas e ambientes, estimulando a energia que comandam: o amor puro.
Mesmo sendo Oxóssi o regulador das matas, é a ela que pertence a fecundidade na Natureza. Por deter a sensibilidade e o amor, está diretamente relacionada aos jogos adivinhatórios, atributo natural dos filhos desse Orixá.

Seus Filhos
Um filho de Oxum é arredondado, por adorar doces e boas comidas. Seu rosto é harmonioso, delicado, sempre com um sorriso suave e olhares meigos. Fala amenidades o tempo todo, tendo um dom natural de descobrir os defeitos alheios e expô-los com leviandade e graça. Se provocado, nunca discute, mas trama a revanche em silêncio e será raro ver-se um filho desse Orixá sofrendo infortúnios na vida, sempre contando com o apoio de alguém para auxiliá-lo.
Explicado pelos mitos, seus filhos possuem enorme paixão por jóias, tendo sempre uma colecção, de acordo com suas posses. Apesar de discretos, são muito dengosos e sensuais, cultivando todos os prazeres da vida.

Saravá Mamãe Oxum.
Saravá protetora dos velhos, crianças e dos desamparados.
Estendei o Vosso Manto sobre as nossas cabeças.
Dai-nos forças para não cairmos extenuados pelo cansaço e pelo desânimo.
Dai-nos forças para não nos perdermos nos caminhos da ingratidão e da descrença.
Amparai-nos com o Vosso poder, para que não nos enveredemos pelas estradas escuras do pecado, da ambição, do ódio e da maldade.
Afastai de nosso coração o sentimento de vingança.
Dai-nos forças para sabermos perdoar os que nos ofendem, os que nos insultam, os que nos perseguem e os que nos humilham.
A Vós Mamãe Oxum, que sois o reflexo divino da Excelsa Nossa Senhora da Conceição erguemos as nossas preces em agradecimento pelas bênçãos que iremos receber através da Vossa interseção junto a Pai Oxalá.
Nas águas das cachoeiras, nos lagos e nos rios, a Vossa força irradia proteção e luz para os sofredores, os enfermos e os angustiados.
Ajoelhamo-nos ante o Vosso Manto luminoso e suplicamos com toda a nossa fé que não nos abandoneis nas horas de aflição e amargura.
Ajudai-nos Mamãe Oxum, protegei-nos agora e sempre.
Dai-nos maleime pelas nossas faltas.
Perdoai os nossos erros e as nossas omissões.
Lançai o esplendor da Vossa luz em nossos caminhos para que nossa humildade se transforme em força, afim de chegarmos até Vós.
Saravá Mamãe Oxum.
Salve Nossa Senhora da Conceição.

Ogum senhor da guerra

ORIXÁ da Guerra...
Ogum é o Orixá deus da guerra. Seu nome traduzido para o português significa luta, briga, batalha. É a divindade da metalúrgica, do ferro, aço e ouros metais fortes. Ogum está ligado a todos os Orixás. Vem sempre à frente dos demais Orixás. É o dono da abertura dos caminhos dos seus filhos e adeptos.
Ogum é visto como o lutador e conquistador, sempre ao lado de Exu , Orixás solicitados para abertura de caminhos dos seres humanos. Orixá da defesa, pode até evitar briga, mas gosta de lutar e quando isso acontece é imbatível. No Candomblé é o grande general, marechal de todas as lutas, pai rígido, severo, mas também compreensível. Ogum também é a viagem, a estrada longa, os veículos, a estrada de ferro.
Ogum é filho de Iemanjá e irmão mais velho de Exu e Oxossi. Ogum era um bom filho, bom irmão, bom caçador, atencioso e trabalhador. Por ter o seu irmão Exu
que sempre vivia pelo mundo e seu irmão Oxossi mais descansado, Ogum cuidava da sua casa e família. Ogum tinha um grande desejo que era de ganhar o mundo, como fazia o seu irmão Exu.
Ogum veste saiote e atacã com as cores azuis escuro, capacete confeccionado em latão ou pano bordado com plumas nas cores azulão e branco, no pescoço colares de conta-azul e na mão uma espada.
Ogun (nagôs), Gu (jejes), Sumbo e Rocha Mukumbe (angolas), Nkôce Mukumbe(congos).
Onde estiver um Ogum, lá estarão os olhos da Lei, mesmo que seja um “caboclo” de Ogum, avesso às condutas liberais dos freqüentadores das tendas de Umbanda, sempre atento ao desenrolar dos trabalhos realizados, tanto pelos médiuns quanto pelos espíritos incorporadores. Dizemos que Ogum é, em si mesmo, os atentos olhos da Lei, sempre vigilante, marcial e pronto para agir onde lhe for ordenado.
Características: O arquétipo de Ogum é o das pessoas violentas, briguentas e impulsivas, incapazes de perdoarem as ofensas de que foram vítimas. Das pessoas que perseguem energicamente seus objetivos e não se desencorajam facilmente. Daquelas que nos momentos difíceis triunfam onde qualquer outro teria abandonado o combate e perdido toda a esperança. Das que possuem humor mutável, passando de furiosos acessos de raiva ao mais tranquilo dos comportamentos. Finalmente, é o arquétipo das pessoas impetuosas e arrogantes, daquelas que se arriscam a melindrar os outros por uma certa falta de discrição quando lhes prestam serviços, mas que, devido à sinceridade e franqueza de suas intenções, tornam-se difíceis de serem odiadas.
 Sincretismo: São Jorge
 Cor: No candombé, azul anil; na umbanda, vermelho e branco
 Dia da semana: Terça ou Quinta-feira.
 Dominío:  a reta dos caminhos, as lutas, o trabalho.
 Símbolos: Enxada, facão, ferramentas, martelo, pá, picareta, serrote. 
 Saudação: Ogun-iê 
Na umbanda a linha de Ogun é desdobrada nas legiões de Ogun Beira-Mar, Ogun Iara, Ogun Megê, Ogun Naruê, Ogun Malei e Ogun Nagô.

AS 7 FALANGES DE OGUM
Ogum Beira-Mar (oferenda à beira-mar)
Ogum Rompe-Mato (oferenda na entrada da mata)
Ogum Megê (oferenda no lado direito do cemitério)
Ogum Naruê (oferenda no lado esquerdo do cemitério)
Ogum Matinata (oferenda no sopé de morro)
Ogum Yara (oferenda na margem de rio)
Ogum Delê (oferenda na água do mar)
·         Ogum Beira Mar
Conhecido também por Ogum do Mar ou Ogum das Ondas. Na areia molhada é considerado Beira-Mar e nas ondas é conhecido como Sete Ondas. Ele faz ronda da beira da praia até o alto mar. Aceita obrigações na areia molhada, que consistem de vela branca, vela vermelha, cravos brancos e vermelhos, cerveja branca, charutos.
Ogum Rompe Mato
Sua falange trabalha cruzada com Oxossi, rondando, participando da energia das matas, nas pedreiras encontramos Ogum das Pedreiras, neste caso trabalha com Xangô, vibrando nas cores branca e vermelha ou verde e vermelha conforme a sintonia com o orixá. Nesse caso, entendemos ser caso de guia cruzado, ou seja, trabalha em duas linhas simultaneamente. O material utilizado em oferendas é o mesmo as matas, portanto, sua cor vibratória às vezes também é verde. para Ogum Beira Mar, com exceção a cor das velas utilizadas conforme a vibração da entidade.
·         Ogum Megê
Lida diretamente com a Linha das Almas, ou seja, seu campo vibratório está na calunga pequena, ou seja, nos cemitérios, mais precisamente na calçada do cemitério. As oferendas deverão ser entregues em seu campo vibratório, consistindo de cerveja branca, charutos acesos, cravos brancos, espada de Ogum, tudo assentado em pano branco com bordas vermelhas, acompanhadas por velas de cores vermelha e branca.
Ogum Naruê
Esta falange de Ogum trabalha desmanchando a magia negra opera dentro das linhas das Almas, exercendo especial domínio sobre as almas quimbandeiras. Possui conhecimentos seculares, acumulados por Magos, Feiticeiros, Xamãs, Exorcistas, Pajés, Sacerdotes das mais variadas partes do Mundo, portanto seria considerado todo o conhecimento adquirido nesta e em outras Galáxias, precisando, portanto da sabedoria e justiça relacionam-se ora na vibração de Xangô ora na vibração de Ogum Megê. Recebe então suas oferendas tanto nas matas, junto das pedreiras, como nas calçadas que rodeiam a calunga pequena. Suas obrigações são acompanhadas por uma pedra-ímã, ou de materiais condizentes com a necessidade eminente e em conformidade com a magia a ser combatida.
·         Ogum Matinata
Defende os campos onde se assentam as obrigações para Oxalá, principalmente nas colinas floridas. É uma falange muito difícil de incorporar, poucos médiuns conseguem tê-lo como guia. Apesar de receber suas obrigações nas colinas, como para Oxalá, seu domínio é o Espaço Sideral ou Caminhos que a Terra percorre, bem como de todos os planetas, asteróides, cometas, etc. Quando se viaja de avião, ou apelamos para o bom vôo das aves que migram, apelamos pela proteção desta vibração. Suas obrigações consistem de cerveja branca, vela branca, cravo branco, entregues em campos ou colinas floridas. Apesar de rondar os campos de Oxalá, não é a linha que vibra diretamente com este.
·         Ogum Yara
É a falange que ronda os rios, lagos e cachoeiras. É o grande colaborador dos trabalhos de Oxum. Pede-se o seu auxílio e proteção em todas as oferendas aos guias destes campos vibratórios. Tal como na lenda do Rei Artur que recebeu sua espada da fada do lago, Ogum Yara se identifica com as mulheres guerreiras da História Real como Santa Joana D’Arc, responsável pela unificação da França, defensora dos oprimidos pelo poder dos dirigentes políticos, ou seja, pela justiça social. Colabora com Oxum em todos os trabalhos dirigidos à fertilidade, prosperidade, beleza essencial da alma que reflete na matéria, etc. Suas oferendas consistem dos mesmos materiais de Ogum Beira Mar, acompanhados de flores conforme a necessidade e direção do trabalho.
·         Ogum Delê
Esta falange carrega a vibração pura de Ogum. Efetua sua ronda sobre o mundo. É a própria lei que rege os reajustes cármicos. Aquele que nos liberta das batalhas enfrentadas em diversas encarnações, contra diversos inimigos, ou contra nossos princípios negativos que interferem em nossa evolução espiritual. Vibra nas cores vermelha e branca e suas obrigações são oferecidas em qualquer lugar do mundo, desde que seja no tempo. O material normalmente usado é o mesmo que para Ogum Matinata, porém acrescido de uma vela oferecida para o orixá Tempo.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Iemanjá


IEMANJÁ 

Deusa da nação de Egbé, nação esta Ioruba onde existe o rio Yemojá (Iemanjá). No Brasil, rainha das águas e mares. Orixá muito respeitada e cultuada é tida como mãe de quase todos os Orixás. Por isso a ela também pertence a fecundidade. 

No sincretismo religioso, Iemanja tem identidade correspondente a outros santos, como na igreja católica é Nossa Senhora de Candeias, Nossa Senhora dos Navegantes, Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora da Piedade e a Virgem Maria.

Do mesmo modo que varia seu nome, variam também suas formas de culto. A sua festa na Bahia, por exemplo é realizada no dia 2 de fevereiro, dia de Nossa Senhora das Candeias. Mas já no Rio de Janeiro é dia 31 de dezembro que se realiza suas festividades. As oferendas também diferem, mais a maioria delas consiste em pequenos presentes tais como: pentes, velas, sabonetes, espelhos, flores, etc. Na celebração do Solstício de Verão, seus filhos devotos vão às praias vestidos de branco e entregam ao mar barcos carregados de flores e presentes. Às vezes ela aceita as oferendas, mas algumas vezes manda-as de volta. Ela leva consigo para o fundo do mar todos os nossos problemas, aflições e nos trás sobre as ondas a esperança de um futuro melhor.

O ARQUÉTIPO DOS FILHOS DE IEMANJÁ 

As pessoas de Iemanjá são sérias e impetuosas, domina a todos e fazem-se respeitar. Dificilmente perdoam os erros dos semelhantes. Gostam de testar as pessoas.

Seu temperamento é muito difícil, são bravas, nervosas, mas possuem um coração grandioso, são dedicados aos parentes e amigos, preocupam-se com os outros e consigo. Gostam de coisas luxuosas. São honestas, gostam da casa e da família, são ótimas esposas, mães ou pais.
LENDA

Iemanjá era filha de Olokum, deus (em Benim) ou deusa (em Ifé) do mar. Iemanjá foi casada com Orumila, deus da adivinhação mais tarde casou dom Olofin, Rei de Ifé, com que teve dez filhos, que correspondem a Orixás.

Iemanjá foge em direção a oeste, pois se cansara de Ifé. Olokum lhe dera uma garrafa contendo um preparado para usar se precisasse, ela deveria quebrar somente em caso de extremo perigo.

Iemanjá foi viver no entardecer da terra, o oeste Olofin Odùduà, Rei de Ifé, põe todo o seu exército a procura de sua mulher. Iemanjá cercada resolve quebrar a garrafa conforme lhe foi dito. No mesmo instante criou-se um rio levando Iemanjá para Okun, o oceano, lugar onde vive Olokun.

Por isso Iemanjá é representada na imagem com grandes seios, simbolizando a maternidade e a fecundidade.



*Saudação à Iemanjá, a Rainha do Mar: Odô-fe-iaba! Odô-fe-iaba! Odô-fe-iaba!